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Instalação limpa do Debian 13
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- Nome
- Felipe Padilha
Índice
Introdução
Talvez um aspecto muito menosprezado por muitos seja a instalação de um sistema operacional Linux. Mas essa é, com certeza, uma etapa de grande importância para o bom funcionamento do sistema, pois é nesse momento que realizamos o particionamento de discos de maneira segura. Um particionamento mal feito pode levar a problemas no futuro, incluindo a necessidade de reinstalação do sistema.
E nada melhor do que um tutorial de instalação do sistema operacional para aproveitar que o Debian 13 acabou de sair do forno. Inclusive, se quiser ler as novidades que o sistema trouxe, pode acessar esta página diretamente na documentação oficial.
Você também pode usar este link para acessar a página de download. Baixe a ISO com o nome debian--amd64-netinst.iso. Agora, sem mais delongas, mãos à obra!
Neste tutorial, vou presumir que você já sabe usar o VirtualBox ou outro hipervisor para criar máquinas virtuais, ou tem disponibilidade para gravar a imagem em um pen drive e iniciar a instalação em uma máquina física. Caso você queira saber mais sobre como criar máquinas virtuais com o VirtualBox, acesse este artigo.
Vídeo aula
A aula ainda não foi disponibilizada!
Mas você já pode conferir a apresentação neste link.
Instalação




Se houver um servidor DHCP na sua rede, o Debian já vai receber um endereço IP e seguir para a tela de configuração do hostname.

Caso contrário, você verá uma mensagem informando que a configuração falhou. Nesse caso, basta voltar e escolher a opção de configuração manual da rede, onde você mesmo vai informar:
- Endereço IP e máscara (em notação CIDR).
- Gateway padrão da rede.
- Servidores DNS (até três, separados por espaço).







Você também pode manter a senha do usuário root em branco, neste caso, o próprio instalador irá baixar o
sudo
e adicionar o usuário pessoal ao grupo.




Particionamento de disco
E chegamos ao particionamento de disco! Posso te garantir uma coisa: cada tutorial que você ler vai recomendar um método diferente e dificilmente encontrará consenso entre os SysAdmins (a gente é teimoso demais para isso). Portanto, vou explicar o que é particionar o disco, quais configurações você pode adotar e dar o conhecimento necessário para que você decida o que é melhor na sua situação específica. ![[Pasted image 20250827142847.png]]
Instalação em partição única (Assistido - usar o disco inteiro)
Para quem está começando ou deseja facilidade de manutenção, a opção mais simples é deixar o instalador criar apenas uma partição montada em / (raiz), além da partição de swap. Nesse caso:
- Vantagens: instalação rápida, fácil de entender, menor chance de erro.
- Desvantagens: se o disco encher, tanto arquivos pessoais quanto arquivos do sistema ficam comprometidos.
Essa abordagem é recomendada para servidores de aplicação, ambientes de laboratório ou desktops pessoais básicos.
Instalação com múltiplas partições (Manual)
Outra forma é dividir o disco em várias partições. As mais comuns são:
- / (raiz): onde ficam os arquivos do sistema.
- /home: diretório dos usuários.
- /var: útil em servidores, pois guarda logs, cache de pacotes e arquivos temporários que podem crescer muito.
- swap: espaço de troca quando a memória RAM não é suficiente.
Separar partições ajuda na segurança e estabilidade, pois evita que logs ou arquivos de usuários encham o disco inteiro.
Essa abordagem é comum em servidores e em ambientes que exigem maior controle sobre cada parte do sistema.
Usando LVM (Logical Volume Manager)
O LVM é um gerenciador de volumes lógicos que permite criar partições “flexíveis”. Em vez de ficar preso ao tamanho definido na instalação, você pode aumentar ou reduzir volumes no futuro (desde que haja espaço livre no disco ou em discos adicionais).
- Vantagens: flexibilidade para redimensionar partições, adicionar novos discos ao grupo de volumes e snapshots.
- Desvantagens: um pouco mais complexo para iniciantes.
Essa é a escolha ideal para ambientes de produção, servidores e quando se espera crescimento do sistema ao longo do tempo.
Boas práticas
- Para computadores pessoais e servidores de aplicação, uma partição
/
única (mais swap) já resolve bem. - Caso queira uma maior segurança em servidores, separe pelo menos
/home
,/boot
,/tmp
,/var/log/
e/
. - Se for lidar com bancos de dados ou sistemas que geram muitos logs, considere separar também
/var/lib
. - Avalie o uso de LVM quando precisar de flexibilidade ou em ambientes corporativos.
- Swap: não precisa ser gigante, mas é recomendado ter pelo menos o equivalente a RAM em sistemas com hibernação ou metade da RAM em servidores modernos.
Para o tutorial...



ESPAÇO LIVRE





Aqui, vamos alterar as opções:
- Ponto de montagem: alterar para /boot
- Flag inicializável: ligado.







Agora, vamos criar os volumes lógicos:
- lv-root, para o diretório
/
- lv-tmp, para o diretório
/tmp
Selecione a opção Criar volume lógico:



Agora, faço o mesmo procedimento para o lv-tmp, mas ele terá 2GB, ficando:
- 10GB para o /
- 2GB para o /boot
- 2GB para o /tmp
- 2GB não alocados no disco para futura expansão.
Se quiser criar mais particionamentos, para outros diretórios, basta seguir os mesmos passos.



Faça o mesmo procedimento para o lv-tmp, apontando o ponto de montagem para o /tmp.
Continuando a instalação









Se você quer usar o Debian com desktop, mantenha as opções:
- ambiente de área de trabalho no Debian (e escolha uma das áreas de trabalho)
- Xfce
- GNOME Flashback
- KDE Plasma
- Cinnamon
- MATE
- LXDE
- LXQt
- utilitários de sistema padrão
Se for usar como servidor, mantenha, apenas:
- servidor SSH
- utilitários de sistema padrão








Pós Instalação
O primeiro passo do pós-instalação é logar com o usuário pessoal que criamos durante a instalação. Para isso, abra um terminal no seu computador (ou use um aplicativo como o PuTTY) e digite:
ssh usuario@ip_do_linux
A primeira coisa que vamos fazer é escalar os privilégios para o usuário root:
su -
# Informe a senha do usuário root.
Em seguida, atualize a lista de pacotes e também os programas do sistema:
apt update -y
apt upgrade -y
Configuração do NTP
Vamos aproveitar e configurar o cliente NTP para consultar nos servidores do .br, edite o arquivo localizado em /etc/systemd/timesyncd.conf
(pode usar o nano, vi, vim) e modifique a linhas NTP e FallbackNTP para:
NTP=pool.ntp.br
FallbackNTP=a.ntp.br b.ntp.br
Depois, reinicie o serviço do cliente NTP para ele ler as configurações novas:
systemctl restart systemd-timesyncd
Eu também gosto de adicionar o comando sudo, para não precisar ficar escalando privilégios para o usuário root a todo momento.
apt install -y sudo
usermod -aG sudo USUARIO
Não esqueça de alterar USUARIO para o seu nome de usuário.
E o comando abaixo faz com que o sudo não peça a senha para executar os comandos como root:
echo "%sudo ALL=(ALL:ALL) ALL" > /etc/sudoers.d/90-sudo
É um risco extra para instalações com senha, mas prefiro não ter que ficar digitando elas. Além disso, meus servidores costumam não ter senhas de usuários e o login é feito apenas por chaves públicas, igual este artigo então acaba sendo necessário.
Pacotes Padrão
Que tal instalar alguns utilitários para monitoramento e facilidade de uso do sistema? Esses aqui vão em praticamente todos os servidores que gerencio:
sudo apt install -y \
htop \
iotop \
iftop \
ncdu \
bind9-dnsutils \
traceroute \
tcpdump \
nmap \
curl \
wget \
grc \
tree \
whois
Uma breve descrição de cada pacote:
- htop → Monitor interativo de processos. Mostra uso de CPU, memória e carga do sistema em tempo real, com interface colorida e mais amigável que o
top
. - iotop → Mostra em tempo real quais processos estão consumindo mais I/O de disco. Útil para diagnosticar lentidão causada por escrita/leitura intensa.
- iftop → Faz o mesmo que o
iotop
, mas para rede. Exibe quais conexões estão usando mais banda de rede em tempo real. - ncdu → Analisa o uso de disco e mostra de forma navegável quais pastas e arquivos ocupam mais espaço. Muito útil em servidores quando o disco começa a encher.
- bind9-dnsutils → Conjunto de ferramentas de DNS, incluindo o
dig
e onslookup
, indispensáveis para diagnosticar problemas de resolução de nomes. - traceroute → Mostra o caminho (saltos) que os pacotes percorrem até chegar a um destino. Usado em troubleshooting de rede.
- tcpdump → Sniffer de pacotes via linha de comando. Permite capturar e analisar tráfego de rede, ótimo para debug de protocolos e segurança.
- nmap → Scanner de portas e serviços. Permite mapear hosts ativos e identificar portas abertas e sistemas em uma rede.
- curl → Ferramenta de linha de comando para transferir dados via HTTP, HTTPS, FTP e outros protocolos. Essencial para testar APIs e baixar arquivos.
- wget → Similar ao
curl
, mas voltado para downloads. Muito usado para baixar arquivos direto do terminal. - grc → “Generic Colouriser”. Adiciona cores a comandos que normalmente são monocromáticos, como
ping
,netstat
,traceroute
. - tree → Mostra a estrutura de diretórios em formato de árvore hierárquica, facilitando a visualização de pastas.
- whois → Permite consultar registros WHOIS de domínios e IPs, útil para checar informações de propriedade de sites e redes.
Ajustes no Bash
Um pouco de cor no terminal sempre ajuda na concentração — especialmente para quem tem déficit de atenção (minha nota foi 99 de 100 na última vez que fiz o teste).
# Adicione no início do arquivo
__get_ip() {
ip addr show | awk '/inet / && $2 !~ /^127/ { sub(/\/.*/, "", $2); print $2; exit }'
}
# Procure por:
# if [ "$color_prompt" = yes ]; then
# PS1='${debian_chroot:+($debian_chroot)}\[\033[01;32m\]\u@\h\[\033[00m\]:\[\033[01;34m\]\w\[\033[00m\]\$ '
# else
# PS1='${debian_chroot:+($debian_chroot)}\u@\h:\w\$ '
# fi
# E altere o primeiro PS1 para o que está abaixo:
PS1='\[\e[01;36m\]\t \[\e[01;32m\]\u\[\e[0m\]\[\e[01;37m\]@\[\e[0m\]\[\e[01;35m\]\h \[\e[01;33m\]$(__get_ip) \[\e[01;34m\]\w\[\e[0m\]\n$ '